quinta-feira, 15 de maio de 2008

Crônicas em Preto e Branco

I


Existem coisas dentro de mim, que eu não consigo expulsar.
São fotos, são momentos, são cheiros e gostos...
Isso tudo, faz de mim uma pessoa suscetível, frágil, tão particularmente exposto ao frio que faz lá fora...
Esse frio, não é só por ser mais um inverno.
É um frio que precede mais um ano mal vivido, mais uma história mal acabada...É um frio de alma e de coração, e é bem maior do que qualquer palavra em seu aumentativo...
Eu não gosto de café, mas hoje a noite, ele cai bem...Sabe, aqueles filmes que nós assistimos quase que obrigados? Aqueles, que os personagens principais são o oposto do tudo posto, e ai eles se encontram num barzinho ou tomando um café requintado, ou então, andando cabisbaixos e entrelaçados no simples toque sutil de um olhar? Então, Conversa. Acredite, Não acredite nesse tipo de coisa.
O café de hoje, me lembra as noites amargas e cruas em que eu me peguei analisando os pontinhos de luz no meu apartamento do décimo nono andar...Sabe, lá de cima, o mundo parece só um casulo, como se fosse uma espécie de objeto possuído, e tido como palco, ou sei lá...talvez, só pra encenar mais uma peça de apresentação limitada. Lá de cima, o café esfria rápido, e longe de todo aquele asfalto imundo, o tempo para de forma inocente; Eu perco o rumo, sabe, as vezes até penso em voar por alguns segundos, mas me aterroriza a idéia de pousar no vazio, não pela ida cedo ou tarde certa, mas pelo medo de não ser.
E esse café, esse frio e essa ausência, só ressaltam ainda mais uma sensação de instabilidade causada por um existir. E de todas, de todas as dúvidas, dívidas, desastres e outros (des)pesares mais, a única coisa que me assusta, é olhar pra baixo, e te enxergar tão longe.
Sei lá, vai ver, é só um devaneio de uma noite sem sinônimos...

2 comentários:

marinacruz; disse...

Café é tudo de bom.
Prosa assim, marcante, também!
Parabéns, Louis!

Ana disse...

Nossa!!! Adorei o texto...muito bom mesmo,é um texto daqueles que gente nao esquece!